A Volta de Mortimer Palheta - Parte III - Ver-o-Peso
Fazia uma bela manhã naquele dia em Belém do Pará. Jovenildo Carvalho não cansava de admirar a beleza do velho mercado. O Ver-o-Peso com sua variedade de aromas, frutas e gente era simplesmente extraordinário. Seguiu caminhando sem destino certo, só viajaria de noite, então não tinha pressa. O despachante marítimo havia dito que só levaria a documentação do navio para o escritório da firma à tarde. Se viu então nas barraquinhas de "cheiros" e se surpreendeu de nunca ter reparado na imensa variedade de vidrinhos e garrafas com todo tipo de banhos, cheiros e simpatias. Cada um com a sua crença - pensou. Já estava indo embora quando uma velha senhora, com um vestido todo branco e um galho de arruda na orelha o segurou pelo braço.
- Pra que essa pressa meu mano? Tem alguma morena te esperando na Riachuelo? - e soltou uma gargalhada.
Jovenildo só olhou pra mulher e não disse nada. - Não precisa ficar escabriado meu mano, eu só queria te dar um vidrinho de "Boa Sorte"! Pega filho, é presente de "Mãe Rozinha"!
- Obrigado, mas agora estou com pressa.
- Vai mano, e quando você voltar da sua viagem vem visitar a "Mãe".

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